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Uso não autorizado de IA está presente em 82% das empresas brasileiras pesquisadas 

Uso não autorizado de IA já ocorre em 82% das empresas brasileiras pesquisadas, trazendo novos desafios para segurança e governança.

Netuno Network

01/10/26

A adoção de ferramentas de inteligência artificial por funcionários sem aprovação ou supervisão formal da empresa já ocorre, ao menos ocasionalmente nas empresas pesquisadas, em 82% das organizações brasileiras, segundo pesquisa da SAP em parceria com a Oxford Economics. O fenômeno, conhecido como shadow AI, envolve o uso de plataformas de terceiros para atividades profissionais sem que necessariamente exista controle corporativo sobre essas ferramentas. 


O levantamento ouviu 2.600 líderes empresariais em 13 países, incluindo 200 respondentes no Brasil. Entre as empresas brasileiras consultadas, 26% das tarefas já contam com algum apoio de inteligência artificial, enquanto apenas 18% adotam a tecnologia de maneira integrada ao planejamento do negócio. A adoção por projetos ainda é o modelo mais comum, citado por 48% dos participantes. 


Exposição de dados e propriedade intelectual 


A pesquisa aponta que o uso não autorizado de ferramentas de IA já está associado a diferentes tipos de riscos. Entre as organizações brasileiras consultadas, 43% relatam vazamento de dados ou exposição de propriedade intelectual relacionados ao uso dessas tecnologias. Outros 32% identificam vulnerabilidades de segurança e 31% mencionam violações de requisitos de compliance. 


A situação ocorre, em parte, pela facilidade de acesso às ferramentas. Funcionários podem utilizar contas pessoais ou plataformas que não foram homologadas pela organização para analisar documentos, elaborar relatórios, desenvolver códigos ou executar outras atividades relacionadas ao trabalho. 


Nesse cenário, informações corporativas podem deixar o ambiente controlado pela empresa sem que as áreas de Tecnologia, Segurança da Informação, Jurídico ou Compliance tenham conhecimento sobre a operação. 


A pesquisa também aponta que apenas 15% das empresas consideram seus processos totalmente preparados para governar a inteligência artificial. Cerca de 29% não possuem controles de permissão e acesso para agentes, enquanto metade mantém um registro formal dos sistemas utilizados no negócio. 


Governança acompanha ritmo de adoção 


O avanço da IA nas organizações brasileiras ocorre junto a desafios relacionados à governança, dados e segurança. Segundo o levantamento, 75% das empresas apontam a qualidade ou disponibilidade dos dados como um fator que limita a geração de valor com a tecnologia. A falta de profissionais com conhecimento especializado é citada por 65%. 

Para especialistas ouvidos pela Forbes, estabelecer apenas bloqueios ao uso de ferramentas externas não elimina necessariamente o problema.


A abordagem envolve definir quais aplicações podem ser utilizadas, quais informações podem ser inseridas, quais registros devem ser mantidos e quem é responsável pela governança da IA. 


A criação de alternativas autorizadas também aparece como parte desse processo, permitindo que os colaboradores utilizem recursos de inteligência artificial dentro de ambientes submetidos a regras corporativas e controles de acesso. 


O levantamento mostra ainda que o custo associado a incidentes envolvendo dados pode ser significativo. Segundo dados da IBM citados pela Forbes, o custo médio de uma violação de dados no Brasil chegou a R$ 7,19 milhões em 2025. Globalmente, organizações com uso elevado de shadow AI apresentaram custos médios de vazamento US$ 670 mil superiores aos registrados por empresas com pouca ou nenhuma utilização não autorizada da tecnologia. 


A expansão da inteligência artificial também amplia a discussão sobre responsabilidade, especialmente quando agentes passam a executar tarefas e acessar informações corporativas. Nesse contexto, a ausência de inventário, políticas, controles de acesso e definição clara de responsabilidades pode dificultar a identificação de quais sistemas estão sendo utilizados e quais dados estão envolvidos. 


Para as empresas, o cenário coloca a governança da IA junto às discussões de segurança da informação, proteção de dados e gestão de riscos. A questão passa não apenas pela autorização ou bloqueio das ferramentas, mas pela definição de regras para seu uso, pelo controle das informações compartilhadas e pelo acompanhamento das aplicações utilizadas pelos colaboradores. 


Reflexão para as empresas 


A presença de shadow AI em 82% das organizações brasileiras pesquisadas indica que o uso de inteligência artificial pode ocorrer independentemente de uma estratégia formal da empresa. Para áreas de Segurança da Informação, Privacidade, TI, Compliance e Governança, isso amplia a necessidade de compreender quais ferramentas estão sendo utilizadas, por quem, para quais finalidades e com quais tipos de dados. 

Nesse contexto, uma questão para as organizações é: a empresa sabe quais ferramentas de inteligência artificial seus colaboradores estão utilizando e quais informações estão sendo inseridas nessas plataformas?


FONTE: The Value of AI: Brazil 2026

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