
Governança de IA: empresas enfrentam desafios com a expansão de agentes
Previsão da Gartner aponta crescimento expressivo dos agentes de IA até 2028 e evidencia desafios de governança, segurança da informação e proteção de dados

Netuno Network
05/11/26
A expansão da inteligência artificial nas empresas tem ampliado a discussão sobre governança, segurança da informação e responsabilidade pelo uso dessas tecnologias. Com a adoção de sistemas capazes de executar tarefas de forma autônoma, as organizações precisam estabelecer mecanismos para acompanhar suas atividades, controlar os acessos e identificar os riscos associados às operações automatizadas.
Segundo previsão da consultoria Gartner, divulgada em abril de 2026, uma empresa média da lista Fortune 500 poderá utilizar mais de 150 mil agentes de inteligência artificial até 2028, ante menos de 15 em 2025. O levantamento também aponta que apenas 13% das organizações consideram ter uma estrutura adequada de governança para esses sistemas.
Proliferação de agentes amplia riscos corporativos
Os agentes de IA se diferenciam pela capacidade de realizar ações orientadas por objetivos, utilizando ferramentas e integrações para executar etapas de um processo. Seu alcance depende das permissões concedidas e dos sistemas aos quais possuem acesso.
Essa capacidade pode ser aplicada a áreas como atendimento, recursos humanos, finanças, tecnologia e operações. Entretanto, a multiplicação de agentes sem coordenação centralizada pode dificultar a identificação de quais sistemas estão em uso, quais informações acessam e quem responde por suas atividades.
Quando diferentes áreas criam ou utilizam agentes de IA sem uma gestão centralizada, a organização pode perder visibilidade sobre essas aplicações. Esse fenômeno, conhecido como agent sprawl, dificulta o acompanhamento das atividades e das permissões concedidas, podendo ampliar os riscos de exposição de informações e execução de ações não autorizadas.
Outro ponto de atenção é o uso de ferramentas de IA sem conhecimento ou aprovação das áreas responsáveis, prática associada ao conceito de shadow AI. Nesses casos, informações corporativas podem ser inseridas em plataformas não homologadas, sem que a organização tenha visibilidade sobre o tratamento dos dados.
Governança e proteção de dados
O uso de inteligência artificial também exige atenção às obrigações relacionadas à proteção de dados pessoais. Quando essas ferramentas processam informações de clientes, colaboradores ou parceiros, as empresas precisam avaliar as finalidades do tratamento, os acessos autorizados e as medidas de segurança aplicáveis.
A ausência de controles pode aumentar a exposição a incidentes de segurança e questionamentos sobre conformidade. Em sistemas utilizados para apoiar decisões que afetam pessoas, também é importante avaliar os resultados produzidos, documentar os processos e definir quando a intervenção humana é necessária.
A adoção da tecnologia não elimina a necessidade de estabelecer responsabilidades. As organizações precisam determinar quem autoriza a implantação de cada solução, quem acompanha seu funcionamento e quais procedimentos devem ser adotados diante de erros ou comportamentos inesperados.
Controles necessários para acompanhar a expansão da IA
Entre as medidas indicadas pela Gartner para lidar com a proliferação de agentes estão a manutenção de um inventário centralizado, a definição de responsáveis, o monitoramento das atividades e a revisão das permissões concedidas.
A aplicação desses controles deve considerar o nível de autonomia e o impacto de cada sistema. Um agente que apenas consulta documentos, por exemplo, apresenta necessidades diferentes de outro capaz de modificar registros financeiros ou executar operações em sistemas internos.
Nesse contexto, a governança de inteligência artificial envolve diferentes áreas da organização, incluindo tecnologia, segurança da informação, privacidade, jurídico, gestão de riscos e lideranças de negócio. A integração entre essas funções contribui para estabelecer critérios de uso, monitoramento e responsabilização.
A expansão dos agentes de IA coloca em evidência a necessidade de conciliar inovação, eficiência operacional e controle. Para as organizações, o desafio consiste em incorporar essas ferramentas aos processos corporativos sem perder a visibilidade sobre os dados utilizados, as ações executadas e os riscos envolvidos.
Para reflexão:
Como sua organização está estruturando a governança da inteligência artificial para acompanhar a expansão dessas ferramentas e controlar os riscos associados ao seu uso?
Fonte: Gartner e Exame – outubro de 2026.