Rogério Coutinho
21 de ago. de 2026
Soluções de IA
Olá Pessoal!
Eu particularmente tenho um hábito quando preciso estudar ou entender um assunto mais extenso e complexo.
Gosto de quebrar o tema em blocos, agrupar coisas parecidas e montar uma espécie de mapa mental.
Isso me ajuda primeiro a enxergar a visão macro para depois aprofundar nos detalhes.
Hoje queria fazer exatamente isso com Inteligência Artificial.
Quando falamos que uma empresa “usa IA”, isso pode significar coisas completamente diferentes.
Então agrupei alguns exemplos em uma forma simples, como as soluções de IA aparecem e atuam no nosso dia a dia.
Importante: não é uma classificação técnica oficial e certamente existem outras formas de organizar.
Algumas categorias inclusive podem se sobrepor.
É apenas uma forma mais didática para olhar para as soluções que tenho usado para facilitar o entendimento.
#_1_Uso_Direto_De_IA_Generativa
É provavelmente a forma que mais conhecemos atualmente.
A pessoa abre diretamente uma ferramenta de IA generativa ( chatgpt, gemini, claude, etc ) e conversa com ela.
Exemplos práticos:
- Analista de marketing abre o ChatGPT para ajudar a escrever uma campanha.
- Analista usa Claude para apoiar a criação de um código/programa.
- Médico usa Gemini para resumir um artigo científico.
Aqui existe uma interação direta:
Pessoa → IA → resposta
ChatGPT, Claude, Gemini, Qwen, Mistral, Maritaca, DeepSeek e tantas outras entram facilmente nesse grupo.
#_2_Copilotos_E_Assistentes_De_Produtividade
Aqui a IA começa a aparecer dentro da ferramenta que a pessoa já utiliza para trabalhar.
Ela não precisa necessariamente abrir uma plataforma separada de IA.
Exemplos práticos:
- Vendedor recebe sugest ões de e-mails dentro do CRM.
- Analista usa IA dentro do Excel para analisar uma planilha.
- Profissional usa IA dentro do editor de código para receber sugestões enquanto programa.
É como ter um "copiloto" trabalhando ao lado da pessoa.
A decisão e a condução da atividade continuam predominantemente com o humano.
#_3_Assistentes_Conversacionais_Chatbots
Aqui temos uma interface conversacional criada para uma finalidade específica.
Exemplos práticos:
- Chatbot no site de uma indústria responde dúvidas sobre produtos.
- Assistente de RH responde perguntas dos colaboradores sobre benefícios.
- Chatbot de uma clínica agenda e remarca consultas.
Pode existir IA generativa por trás, RAG, acesso a sistemas internos e várias outras tecnologias.
Para o usuário, entretanto, a experiência é basicamente:
Pergunto → converso → recebo uma resposta ou serviço, podendo consultar informações especificas, por exemplo da própria empresa, interna da empresa.
#_4_IA_Analítica_Consultada_Sob_Demanda
Aqui muitas vezes nem existe conversa.
A IA aparece como uma análise, previsão, recomendação, score ou indicador apresentado para apoiar uma decisão.
Exemplos:
- Painel de BI que chama uma IA por traz e prevê demanda de matéria-prima para os próximos meses.
- Sistema gera um score de risco de crédito.
- Aplicação hospitalar estima a probabilidade de reinternação de determinado paciente.
Esse tipo de IA pode já existir na sua organização há muito mais tempo que o ChatGPT.
Muitas empresas usavam IA antes mesmo de perceber que estavam usando IA.
#_5_IA_Nos_Bastidores(Automação)
Essa categoria acho particularmente interessante.
A IA está trabalhando, mas o usuário pode nem perceber que ela existe.
Não existe chat.
Não existe prompt.
Às vezes nem existe uma tela específica.
Exemplos:
- Visão computacional identifica defeitos em peças dentro de uma linha de produção.
- Sistema classifica automaticamente milhares de documentos recebidos.
- Aplicação analisa exames de imagem e sinaliza possíveis anomalias para o radiologista.
- Sistema identifica transações com comportamento suspeito antes mesmo de alguém analisá-las.
A IA está embutida no processo.
Ela processa, classifica, detecta, recomenda ou sinaliza alguma coisa nos bastidores.
#_6_Agentes_De_IA
E finalmente chegamos ao formato que talvez esteja gerando mais discussão atualmente.
O agente não fica apenas respondendo ou analisando.
Ele pode receber um objetivo, raciocinar sobre os próximos passos, escolher ferramentas, acessar sistemas e executar ações.
Exemplos práticos:
- Agente monitora estoque e dispara pedido de reposição dentro de limites definidos.
- Agente acompanha fornecedores, solicita cotações e organiza as propostas recebidas.
- Agente de atendimento consulta CRM, verifica pedidos, altera um cadastro e abre um chamado sem que alguém precise executar cada etapa.
Aqui começamos a aumentar bastante o grau de autonomia.
A IA sai progressivamente de:
“me diga alguma coisa”
para:
“faça alguma coisa, como seu eu passasse um objetivo”.
E isso muda bastante a discussão de governança.
#_Um_Ponto_Importante
Esses seis grupos não são uma linha evolutiva obrigatória.
Não significa que chatbot seja menos avançado que copiloto ou que toda empresa precise caminhar até agentes autônomos.
Também podemos ter uma mesma solução aparecendo em mais de um grupo.
Um copiloto pode ter um chatbot.
Um chatbot pode acionar um agente.
Um agente pode consultar um modelo analítico.
Uma automação nos bastidores pode utilizar IA generativa.
As fronteiras vão ficando cada vez mais misturadas.
O objetivo deste mapa é apenas facilitar nossa visão macro.
#_Reflexão
Para mim existe ainda outro benefício em pensar dessa forma.
Quando alguém diz:
“Nossa empresa está usando IA.”
A pergunta seguinte deveria ser:
“Usando como?”
Porque os riscos podem ser completamente diferentes.
Uma pessoa usando ChatGPT para revisar um e-mail possui um contexto.
Um modelo que recomenda concessão de crédito possui outro.
Um sistema que identifica câncer em um exame possui outro.
E um agente com credenciais para acessar sistemas e realizar transações possui outro completamente diferente.
Quanto maior a capacidade da IA de acessar dados, influenciar decisões e executar ações, maior tende a ser a necessidade de pensarmos em controles, permissões, registros, supervisão humana e gestão de riscos.
#_Pensando_Um_Pouco_Mais
Talvez esse mapa mental ajude também em uma pergunta bastante prática dentro das empresas:
Quando você olha para sua organização, em quais desses seis formatos a IA já está presente hoje?
Uso direto de IA generativa?
Copilotos?
Chatbots?
Modelos analíticos?
IA trabalhando silenciosamente nos processos?
Agentes executando ações?
E uma provocação ainda mais importante:
Será que todas essas formas de uso já chegaram ao inventário e à governança de IA da sua empresa? Sobre o autor:
Rogério Coutinho da Silva
rogerio.coutinho.silva@gmail.com
https://www.linkedin.com/in/rogerio-coutinho-silva/
Engenheiro de Computação formado pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Sócio-fundador da Podium Tecnologia (Consultoria especializada em Governança de Segurança da Informação, Privacidade e Continuidade de Negócios) e da SimpleWay (Plataforma de Governança de Segurança Cibernética, Privacidade e IA).



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