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#_IA_Tentando_Acompanhar | Edição 178

Rogério Coutinho

28 de set. de 2026

modelos de ia

Olá Pessoal!

Quero compartilhar uma reflexão que começou quando olhei para o meu próprio uso de IA.


Durante muito tempo, a disputa entre as grandes plataformas parecia girar em torno de uma pergunta: quem tem o melhor modelo?


Para quem chegou há pouco ao assunto, os modelos, conhecidos como LLMs, são a tecnologia por trás de boa parte das respostas que recebemos em plataformas como ChatGPT, Claude e Gemini.


Essa disputa continua, e as diferenças entre modelos ainda importam. Mas bem menos, do que a algum tempo atrás.


Mas tenho observado outro movimento: os provedores ( Ex: OpenAI, Anthropic, Google, Alibaba. DeepSeek, etc ) também estão ampliando os recursos ao redor deles. E, para muitas atividades do dia a dia, esses recursos passam a pesar na escolha da plataforma.


#_Entendendo


Pense em alguns exemplos:


* Projetos e ou Skills, que reúnem documentos, conversas e o contexto de um assunto;

* Instruções sobre como queremos que a IA execute determinada tarefa;

* Conexões com e-mail (ex: gmail, outlook), arquivos, agenda ou outros sistemas;

* Rotinas personalizadas para trabalhos que fazemos toda semana ou todo mês.


Cada recurso parece pequeno. Juntos, eles formam parte do ambiente de trabalho daquele profissional.


No meio técnico, você pode encontrar a palavra harness para descrever a estrutura que permite ao modelo usar contexto e ferramentas para realizar tarefas. Mas o termo não é o mais importante aqui. O ponto é que estamos montando parte do nosso jeito de trabalhar dentro dessas plataformas.


#_Pensa_Comigo


Muitos já possuem dezenas (ou centenas) de projetos, instruções e rotinas na IA que usam. Alguns nos poupam tempo toda semana.


Se amanhã essa pessoa mudasse de plataforma, não bastaria encontrar outra IA que responda bem. Ela teria de reunir os materiais, refazer conexões, adaptar instruções e conferir se tudo continua funcionando.


Agora leve essa situação para uma empresa. Especialmente se for uma empresa média ou grande.


Imagine uma profissional do financeiro que reuniu, em um projeto, os modelos usados no fechamento mensal. Ela acrescentou orientações sobre os critérios da diretoria e configurou o acesso aos arquivos necessários. Com o tempo, foi ajustando essa solução até a rotina se tornar parte do seu trabalho.


Para essa profissional, o ganho é concreto. Mas será que a empresa sabe que essa rotina existe? Sabe como ela funciona e quem conseguiria mantê-la se essa pessoa saísse?


Aqui está a diferença que mais me chama atenção. Na troca de um sistema corporativo ( tradicional, como um CRM ou ERP ), a empresa normalmente organiza um projeto, com responsáveis pela migração.


Com a IA, parte do que precisaria ser migrado pode ter sido construída pelos próprios usuários, de baixo para cima, uma melhoria de cada vez.


Nesse caso, mudar de fornecedor exige mais do que aprovar um orçamento ou estabelecer um cronograma.


É preciso envolver as pessoas na reconstrução e na validação do jeito como trabalham. Isso demanda tempo, esforço e disposição de cada uma delas.


Quem já encontrou uma planilha cheia de macros que só uma pessoa sabia manter talvez reconheça o problema. Algumas rotinas de IA podem criar uma dependência parecida, agora com acesso a outros sistemas e participação em mais etapas do trabalho.


#_Ponto_De_Atenção


Existem padrões abertos que podem facilitar o reaproveitamento de certas conexões com outras plataformas ( da IA com sistemas corporativos ). Isso ajuda, mas não faz a migração acontecer sozinha.


E há uma consequência comercial: quanto mais custoso for trocar, menor é a flexbilidade para que isso ocorra e mais amarrada fica a empresa.


Antes mesmo de pensar em troca ou negociação, acho que a primeira pergunta é: sabemos o que as pessoas já construíram e do que o trabalho delas passou a depender?


#_Na_Prática


Não se trata de desencorajar essas iniciativas de automatizaçao do usuário usando IA. Muitas resolvem problemas importantes e os benefícios são enormes.


Mas, quando uma rotina se torna relevante para a empresa, alguns cuidados fazem sentido:


* Identificar a rotina, seu responsável e os dados e sistemas aos quais ela tem acesso;

* Guardar instruções e materiais importantes em espaços administrados pela organização;

* Garantir que rotinas relevantes de trabalho sejam executadas em contas e ambientes corporativos, seguindo as regras de segurança e privacidade da empresa;

* Planejar como a rotina será mantida quando alguém mudar de função ou sair.


Isso ajuda a preservar o ganho de produtividade e a liberdade de escolha da organização.


#_Reflexão


Se a sua empresa precisasse mudar de plataforma corporativa de IA amanhã, vocês saberiam quais rotinas teriam de reconstruir? E quais profissionais precisariam participar para que isso acontecesse?



Sobre o autor:



Rogério Coutinho da Silva

rogerio.coutinho.silva@gmail.com 

https://www.linkedin.com/in/rogerio-coutinho-silva/



Engenheiro de Computação formado pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Sócio-fundador da Podium Tecnologia (Consultoria especializada em Governança de Segurança da Informação, Privacidade e Continuidade de Negócios) e da SimpleWay (Plataforma de Governança de Segurança Cibernética, Privacidade e IA).


Imagem Google Fonte: Magnific

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