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#_IA_Tentando_Acompanhar | Edição 117

Rogério Coutinho

20 de jun. de 2025

As consequências neurais e comportamentais da redação assistida por LLM

Olá, Pessoal!!


Frequentemente nos bate-papos sobre IA surge a preocupação de como o uso de ferramentas como o ChatGPT pode impactar nosso cérebro e nossa capacidade de aprendizado!!


Certamente você já deve ter se questionado sobre isso. Eu pelo menos penso nisso direto :)


Recentemente, o MIT publicou um artigo bem interessante chamado “Your Brain on ChatGPT: Accumulation of Cognitive Debt when Using an AI Assistant for Essay Writing Task”. Tem o link do artigo mais abaixo para quem quiser ler.


O estudo investiga as consequências neurais e comportamentais da redação assistida por LLM (Modelos de Linguagem Grande). Ou seja, o que está ficando comum nos dias atuais.


Achei o artigo bem bacana e me pareceu ser um tema de grande importância para todos nós acompanharmos.


Vamos explorar um pouco as conclusões aqui de forma bem breve.


#_Sobre_O_Artigo

O estudo utilizou eletroencefalografia (EEG) para avaliar a carga cognitiva durante a redação, analisando 54 participantes divididos em três grupos:


  • Grupo LLM: usaram apenas o ChatGPT para pesquisar e escrever.

  • Grupo Search Engine: podiam usar mecanismos de busca (como Google), mas sem LLM.

  • Grupo Brain-only: escreveram sem nenhuma ferramenta externa, baseando-se apenas em seu conhecimento.


#_Resultados

Ao longo de quatro meses, os usuários do LLM apresentaram um desempenho consistentemente inferior em níveis neural, linguístico e comportamental.


Aqui estão algumas conclusões bem interessantes:


  • O uso de assistentes de IA diminui a conectividade neural no cérebro. O cérebro "trabalha menos" porque delega o esforço cognitivo para a ferramenta.


  • Participantes do grupo LLM relataram um sentimento de "posse" ou autoria sobre suas redações significativamente menor. Em vez de se envolver em processos criativos profundos, o foco foi em avaliar e filtrar as sugestões da IA.


  • Por outro lado, quem escreveu sem ajuda externa (grupo Brain-only) mostrou um fortalecimento progressivo das redes neurais associadas à memória, planejamento e controle executivo ao longo do tempo.


#_Reflexões

  • Os participantes do grupo que usou apenas o cérebro para escrever os textos relataram maior satisfação e demonstraram maior conectividade cerebral, em comparação com os outros grupos. Além disso, os ensaios escritos com o auxílio do LLM tiveram menor significado ou valor para eles.


  • Pessoal, na prática esse estudo levanta questões sobre as implicações educacionais a longo prazo da dependência de LLMs. Certamente essas pesquisas vão se ampliar e em breve teremos mais dados sobre isso.


  • O que você pensa sobre isso? Será que a tecnologia está nos fazendo "desaprender"?


Se você quiser se aprofundar, confira o artigo completo aqui: https://arxiv.org/pdf/2506.08872


Sobre o autor:


Rogério Coutinho da Silva

rogerio.coutinho.silva@gmail.com 

https://www.linkedin.com/in/rogerio-coutinho-silva/




Engenheiro de Computação formado pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Sócio-fundador da Podium Tecnologia (Consultoria especializada em Governança de Segurança da Informação, Privacidade e Continuidade de Negócios) e da SimpleWay (Plataforma de Governança de Segurança Cibernética, Privacidade e IA). Foto de Zan Lazarevic na Unsplash


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