

Mariana Sbaite
5 de dez. de 2025
Ferramentas como ChatGPT, Copilot, Claude e Gemini já fazem parte do cotidiano corporativo. Elas escrevem textos, analisam documentos, geram códigos e atendem clientes. Mas há um problema crescente: colaboradores usam IA generativa sem qualquer orientação de privacidade ou segurança, expondo dados pessoais e colocando a empresa em risco real de infringir a LGPD, além de sofrer incidentes de segurança e violações de dados pessoais com alto impacto regulatório e reputacional.
Segundo estudo da MIT Technology Review Brasil (2025), 90% das empresas brasileiras já utilizam IA generativa para aumentar eficiência, mas apenas 22% possuem governança adequada. Esse dado mostra que a inovação avança mais rápido do que a conformidade. A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) já se posicionou claramente sobre o tema, com o Radar Tecnológico – IA Generativa e a Nota Técnica nº 27/2024, que questionou o uso, pela Meta, de dados pessoais, inclusive de não usuários, para treinar modelos de IA. O recado é simples: IA generativa não está fora do alcance da LGPD.
Onde a IA aparece (mesmo quando a empresa acha que não usa IA)
Colaboradores colando documentos internos em prompts;
Marketing criando campanhas e segmentações com IA;
RH triando currículos e avaliando desempenho;
Chatbots conectados a históricos de clientes;
Times de produto treinando modelos com dados internos;
Quase sempre há dados pessoais envolvidos e isso aciona obrigações legais imediatas.
Principais riscos no uso de IA generativa
Vazamento acidental: Alguém envia dados pessoais à IA sem perceber. Planilhas, contratos e informações internas viram potenciais incidentes.
Treinamento com dados pessoais sem base legal: A NT nº 27/2024 foi clara: treinar IA com dados pessoais exige base legal adequada. Consentimentos vagos e legítimo interesse mal justificado não bastam.
Opacidade e decisões automatizadas: Modelos generativos dificultam explicar como o dado foi utilizado, afetando transparência e o direito do titular à revisão de decisões automatizadas (art. 20 da LGPD).
Novos riscos de segurança: IA pode gerar códigos vulneráveis, revelar padrões sensíveis e potencializar ataques como deepfakes e engenharia social.
Três perguntas obrigatórias antes de usar IA
1) Qual a finalidade exata do uso de IA?
2) Quais dados pessoais realmente preciso usar? É possível anonimizar ou sintetizar?
3) Qual é a base legal?
Se não houver resposta clara, não é seguro avançar sem análise aprofundada.
Como usar IA generativa em conformidade com a LGPD
Crie uma política interna de uso de IA
Defina o que pode ou não ser enviado às ferramentas, quando usar versões corporativas e como reportar uso indevido.